Estou com dificuldades com novos óculos PDF Imprimir E-mail

A cena é relativamente freqüente: cliente, usuário de óculos, faz o exame para atualizá-los, manda fazê-los e ao voltar para serem conferidos, traz a informação de que "não está gostando", ou não está "se ajeitando com estes novos". Onde pode estar a causa?

Resposta inicial: em 3 etapas - no exame, na prescrição e na execução da receita.






Primeira etapa: Exame

A receita de óculos é o resultado de dois dados:

- um, objetivo, que depende do oftalmologista, resulta da experiência deste e do equipamento de que dispõe e utiliza no exame. Isto permite que, antes mesmo da escolha das lentes pelo cliente, o médico já tenha uma idéia, ao menos aproximada, de seu grau. Outros dados do exame, também contribuem para prevermos se a correção óptica tem possibilidade de dar boa visão.

- outro, subjetivo, que depende das respostas que o cliente dá, na escolha das lentes. Há pessoas que decidem prontamente em cada lance. Outras tem dificuldade de fazer as escolhas e podem induzir o médico a lhe receitar um grau não muito exato. Às vezes, não depende do cliente, disposto a colaborar, mas o olho é que não deixa. Tem lesões que lhe dificultam ver e poder escolher, por exemplo: catarata, opacidades da córnea, turvação dos meios oculares, lesões da retina e do nervo óptico, glaucoma etc. Para minimizar este fator, é conveniente fazer o exame também com "dilatação das pupilas", de preferência com colírio cicloplégico. Isto aumenta o rigor do exame objetivo e facilita a escolha.

Segunda etapa: Prescrição ou receita

Ao receitar os óculos, o médico deve levar em consideração vários dados:

- idade do cliente - de um modo geral, até 40 anos, as mesmas lentes servem para longe e para perto. A partir dai, o grau de longe, nem sempre serve para perto e vice-versa. Com o tempo, aparece a distância média, em que nem o de longe, nem o de perto dão boa visão. É a hora de ter óculos separados, (um par para cada distância), ou mandar fazer bifocais, trifocais e/ou multifocais. E/ou, por que? Porque todas as tentativas de correção da "vista cansada", têm restrições. E o cliente acaba precisando de ter um verdadeiro "kit" de óculos, dependendo do seu tipo de exigência e meticulosidade.

- hábitos de vida e profissão - se, na maior parte do tempo, o cliente tem atividade de perto, ele pode se sentir melhor com um par especialmente para perto. O computador fica geralmente na distância média. Precisaria de um grau próprio para a distância habitual. Outros, os míopes, podem até se sentir melhor sem usar correção de perto.

- posição dos olhos - alguns casos de estrabismo melhoram ou se controlam com correção óptica. Isto pode levar ao uso de bifocais (eventualmente, multifocais) uma criança, mesmo.

- doenças gerais - algumas influem no valor das lentes e podem dar flutuações inquietantes. Uma delas é o diabete. Em certos dias, com os mesmos óculos, a visão varia para melhor ou para pior.

- alguns tratamentos - tranqüilizantes, anti-espasmódicos, antimaláricos e uma infinidade de outros medicamentos podem influir até no tipo de refração, temporária e mesmo intermitentemente.

Terceira etapa: Aviamento da receita


Começa no balcão da óptica. O balconista deve orientar o cliente na escolha da armação, que melhor assente no rosto deste. Pode até contrariar a escolha do cliente, se inadequada, correndo algum risco de não agradar inicialmente.

Definida a armação, são tomadas medidas da posição das pupilas, na horizontal (distância interpupilar ou distâncias naso-pupilares)  e na vertical, em relação ao arco superior da armação. As distâncias horizontais costumam fazer parte da Receita. Se houver divergência com os dados desta, convém fazer contato com o médico. Ele pode ter feito assim intencionalmente (descentração) ou inadvertidamente. As lentes multifocais trazem marcas originais do fabricante que devem ser preservadas até a conferência pelo médico (ou auxiliar deste).

Do balcão, os dados e a armação vão para a oficina/laboratório, onde é aviada a receita. Recebidos os óculos, é recomendável retornar ao consultório para conferí-los. Assim como é possível alguma imprecisão no exame e na prescrição, pode ocorrer na execução.Com o retorno à óptica, costuma ser logo sanado. Em outros casos, pode ser necessário repetir o exame, possivelmente com mais rigor e exames complementares.

Fonte: Sociedade Brasileira de Oftalmologia