Alguns Medicamentos podem prejudicar o glaucoma PDF Imprimir E-mail

Três classes de medicamentos podem ser prejudiciais para indivíduos que têm glaucoma ou são predispostos a desenvolvê-lo: primeiro, a cortisona, ou drogas tipo cortisona; segundo, drogas que baixam a pressão arterial ou afetam o fluxo sangüíneo; e, terceiro, drogas que provocam a dilatação da pupila. A palavra “pode” é muito importante aqui, pois os riscos variam dependendo da droga, de como ela é usada, do tipo de glaucoma e do indivíduo em questão.

Cortisona

Uma importante classe de medicamentos de preocupação potencial para os pacientes de glaucoma é a cortisona, nome genérico dos hormônios e das drogas fabricados para imitar os hormônios adrenais produzidos pela glândula adrenal. Muitas drogas tipo cortisona são amplamente usadas para tratar várias condições, como asma, urticária, artrite e outras condições inflamatórias.

Quando estes agentes são aplicados à pele ou tomados via oral ou injetável, em geral implicam pouco risco às pessoas com glaucoma. Como a quantidade de elevação da pressão é quase sempre leve, e a duração do tratamento com estes medicamentos usualmente breve, a maioria das pessoas com glaucoma não precisa consultar seu oftalmologista ou checar sua pressão intraocular simplesmente porque estão usando estes produtos por um período curto.

Em contraste, se o glaucoma de uma pessoa é instável ou avançado, e por isso qualquer elevação na pressão pode ser prejudicial, ou se o tratamento com produtos de cortisona dura mais do que um mês (como pode acontecer quando eles são usados para tratar asma ou problemas crônicos de pele), os indivíduos com glaucoma não devem deixar de dizer ao seu oftalmologista que estão usando estes produtos.

O perigo potencial da cortisona para os pacientes de glaucoma aumenta quando ela é usada na forma de colírios. Pessoas com vários tipos de glaucoma – sobretudo o glaucoma do tipo mais comum, primário, de ângulo aberto – podem ser seriamente prejudicadas por colírios de cortisona. Cerca de um terço dos portadores de glaucoma desenvolverão uma elevação na pressão em resposta a um colírio de cortisona quando usado quatro vezes ao dia durante um mês.

Este tipo de pressão na resposta aos colírios ocorre lentamente. Na maioria dos casos, os colírios ofensores precisam ser usados por cerca de um mês antes de afetarem significativamente a pressão intraocular. Os colírios de cortisona devem ser usados com a devida cautela em todo mundo, mas especialmente naqueles com glaucoma de ângulo aberto ou uma predisposição a glaucoma primário de ângulo aberto.

Também pode surgir um problema naqueles que são submetidos a um “procedimento por filtragem protegida”, uma operação em que é feito um novo dreno na parede do olho para permitir a drenagem do fluido na parte frontal do olho (o humor aquoso), reduzindo assim a pressão no olho. Usar colírio de cortisona durante mais ou menos um mês após a cirurgia é essencial para o sucesso da operação, porque ele ajuda a impedir a cicatrização dos tecidos afetados. Se estes tecidos cicatrizassem, como ocorreria normalmente, o dreno criado pela cirurgia se fecharia. A cortisona tende a evitar que isto aconteça.

Entretanto, se a operação fracassar apesar do uso da cortisona, e o fluido não conseguir sair do olho, as gotas de cortisona podem na verdade ter um efeito nocivo, provocando a elevação da pressão. Uma das razões por que os oftalmologistas precisam examinar os pacientes periodicamente após uma cirurgia de glaucoma é para avaliar a necessidade e a segurança do colírio de cortisona, e ajustar seu uso adequadamente para cada paciente.

Medicamentos Usados para Baixar a Pressão Arterial

Às vezes pode se desenvolver dano ao glaucoma se o nervo ótico for privado da nutrição que necessita, provocando a morte das células do nervo. Por exemplo, em pessoas com glaucoma, uma redução repentina da pressão arterial pode privar o nervo óptico do sangue necessário, reduzindo assim a nutrição do nervo e causando danos ao nervo ótico.

Pela mesma razão, os medicamentos usados para reduzir a pressão arterial elevada podem causar problemas para pessoas com glaucoma. Por isso, aconselha-se os pacientes de glaucoma tentar controlar sua pressão arterial por meios não médicos - reduzindo o peso ou se exercitando. É claro que ter uma pressão arterial normal é essencial para a boa saúde, e se essas modificações no estilo de vida não forem eficazes, poderá ser necessário o uso de medicamentos.

Seja como for, os pacientes com glaucoma devem informar seus médicos da atenção primária de que têm glaucoma, pois alguns médicos podem não estar plenamente informados dos perigos da redução precipitada da pressão sangüínea para o paciente de glaucoma. Conseqüentemente, aconselha-se que um paciente com glaucoma severo, que necessite tomar medicamentos para pressão arterial elevada, diga algo como, “Doutor, eu sei que preciso baixar minha pressão arterial, mas espero que isto seja feito de uma maneira que não piore o meu glaucoma.”

Não só os medicamentos que afetam a pressão sangüínea são preocupantes. Qualquer coisa que prive o nervo de nutrição pode provocar uma aceleração no avanço do glaucoma. Por isso, a nutrição, a viscosidade ou a espessura do sangue, anemia e outros fatores podem afetar o progresso do dano do glaucoma.

Drogas que Dilatam a Pupila

Um grande número de drogas pode fazer a pupila aumentar ou “dilatar”. Drogas que contêm atropina ou produtos tipo atropina, agentes freqüentemente usados em remédios e medicamentos para resfriado e para aliviar os sintomas de problemas estomacais, podem provocar a dilatação da pupila quando tomados por boca. Muitas drogas que são usadas para mudar o humor ou o estado emocional das pessoas, como muitos dos chamados “tranqüilizantes”, também podem ter este efeito. Lembre-se de que o fluido está constantemente fluindo para dentro e para fora do olho. Se o fluxo para fora do olho for bloqueado, a pressão dentro do olho aumenta. Se a região onde ocorre a drenagem for estreita, os canais de drenagem podem ser bloqueados pela íris quando a pupila estiver dilatada. Por isso, as pessoas com “ângulos da câmara anterior estreitos” correm o risco de desenvolver pressão intraocular elevada quando suas pupilas são dilatadas, como pode ocorrer no escuro ou quando elas usam colírios ou medicamentos que dilatam a pupila.

Como dilatar a pupila pode provocar um ataque do glaucoma de “ângulo fechado”, o Food and Drug Administration prescreve que os fabricantes de drogas que possam provocá-lo coloquem no rótulo destes medicamentos uma advertência de que eles não devem ser usados em uma pessoa com glaucoma. Entretanto, só mais ou menos uma vez por ano a maioria dos especialistas  de glaucoma vêem um paciente cujo ataque de ângulo fechado parece ter sido desencadeado pelo uso de um remédio frio ou alguma outra medicação que dilate a pupila.

O risco para as pessoas com o tipo mais comum de glaucoma nos Estados Unidos – o glaucoma primário de ângulo aberto – provocado pelas medicações que dilatam a pupila é muito pequeno. Também não é motivo de preocupação para aqueles que, tendo sido diagnosticados com glaucoma de ângulo estreito ou ângulo fechado, sofreram a abertura de um orifício em sua íris. Esta iridotomia, que é feita com um laser ou cirurgicamente, elimina permanentemente o problema. Se os indivíduos com ângulos estreitos ou ângulo fechado sofreram uma iridotomia, dilatar a pupila não fechará o ângulo.

Por isso, o comentário inserido na embalagem de que as pessoas com glaucoma devem ser cautelosas no uso de determinadas drogas nunca se aplica a ninguém que tenha sido diagnosticado com o tipo mais comum de glaucoma, o glaucoma primário de ângulo aberto. Aqueles que realmente correm o risco de piorar com essas drogas são pessoas que têm um ângulo estreito da câmara anterior, mas não sabem que o têm e não estão sendo tratadas para isso.

 

Fonte: George L. Spaeth, MD (Glaucoma Service Foundation to Prevent Blindness)